13 de setembro de 2009

Surtos coletivos: O bug do milênio


Todo esse pânico gerado com o ativamento do LHC: vamos ser engolidos por um buraco negro?, vamos nos desintegrar?, devo fugir para as montanhas? e consequentemente a gigante broxada coletiva que ocorreu quando ligaram o tal treco e nada aconteceu, me deu saudades do Bug do Milênio.

O Bug do Milênio foi um dos maiores surtos coletivos da história, e ao contrário da Macarena, trouxe bem menos estragos(você dançou macarena, pode admitir).

O que era pra acontecer: na virada de 1999 para 2000, todos os computadores do mundo iam surtar por conta do método de armazenamento de dados usados pra economizar grana. Ou seja, era mais barato você ter um sistema que trabalhasse no esquema DD/MM/AA do que DD/MM/AAAA. O medo era de que na virada, todos os computadores do mundo achassem que estávamos em 1900 e não em 2000, levando quase tudo pras cucuias.

Como as pessoas reagiram: Alguns fugiram pras colinas, outros começaram a estocar comida em casa e a construir abrigos nucleares enquanto citavam trechos de profecias do Nostradamus.Alguns poucos (tipo eu) estavam loucos pra ver o circo pegar fogo. No meio disso tudo, os pobres coitados trabalhadores de tecnologia de informação trabalhavam de sol a sol a fim de evitar o apocalipse tecnológico.

O que aconteceu: N - A - D - A!!! Absolutamente nada!!! Tirando um errinho aqui e outro ali. Uma das maiores broxadas de que se tem registro na história da humanidade. Eu, pessoalmente, fiquei muito triste em constatar na frente do meu computador ligado que estava tudo igual. Não teve nenhuma explosão, nenhum portal pra um mundo paralelo, nadica de nada. Além disso, os nerds trabalhadores de sol a sol desenvolveram tecnologias melhores para armazenamento de bytes, mas isso nem teve muita graça.

[texto publicado originalmente aqui]

Dogma



Eis que depois de quase 10 anos eu finalmente consegui assistir Dogma, filme com roteiro e direção do Kevin Smith. Ei, não me olhe assim ok? Na roça onde eu morava na época não tinha pra alugar, nem cinema tinha! E se eu aparecesse por lá com uma cópia do filme, os aldeões provavelmente iam até a porta da minha casa com tochas na mão, gritando “BUUUUUUURN HER!” e me acusariam de ter transformado alguém numa salamandra e pesar o mesmo que um pato.

Dogma foi lançado em 1999, fechando com chave de ouro os queridos anos 90.Pra resumir a história: Loki e Bartolomeu querem voltar pro Paraíso, e pra isso eles têm que pelo Arco do Perdão, que fica na Igreja do Buddy Jesus lááá em Nova Jersey. Só que se eles voltarem pro Paraíso, isso provará que Deus estava errado, e o Apocalipse acontecerá levando toda a existência pras cucuias. Então a Voz de Deus (vulgo Metatron) vai atrás da última descendente de Jesus na Terra e fala pra ela “Você é tatatatatatataraneta de Jesus e só você pode resolver isso, beijosnãomeliga”. A salvadora de tudo conta com a ajuda do 13º apóstolo, sim, há um 13º apóstolo, cortado da bíblia porque é negro e dos maravilhosos e onipresentes em filmes do Kevin Smith, Jay e Silent Bob.

Deu pra pegar bem o espírito da coisa né? Dogma dá um tapão na cara de todos os religiosos fervorosos e nas 2 horas e meia de filme, mexe e remexe nos dogmas da igreja católica, discutindo a cor de Jesus até se Deus é homem ou mulher.

Além do ótimo roteiro e direção, Dogma conta com um elenco genial. Vai desde o casal “do momento” em 99, Ben Affleck e Matt Damon, e o famoso papel de Alanis Morissette como Deus. No mais, te faz rir muito e refletir sobre o que você acredita ou não.

Se você era como eu, e não teve como assistir Dogma no ano de sua estréia,
faça-o agora! Garanto pra você que vai valer a pena cada minuto gasto caçando a VHS/DVD escondida em alguma prateleira de locadora por aí, ou as horas gastas baixando em torrent.

[texto publicado originalmente aqui]

Y con mucha honra!


Quem não se lembra de Soraya Montenegro? E de Paola Bracho? Vilãs dos maiores expoentes do gênero, Maria do Bairro e A Usurpadora (respectivamente) as víboras de cabelo Chanel e batom vermelho perigo marcaram os anos 90 com suas maldades.

Maria do Bairro, a mais famosa da trilogia das Marias interpretadas por Thalia, estreou no canal do tio Sílvio em 1997, sendo reprisada outras 3 vezes. A novela é dividida em 2 fases : Maria Favelada e Maria Lady. É aquela velha historia: menina pobre sofrida vai pra mansão, se apaixona pelo galã cafajeste, é enganada, sofre na mão dele, mas por fim o cafajeste se apaixona pela mocinha, enquanto a vilã tenta atrapalhar tudo.
Diferenciais: além do bebê perdido e reencontrado anos depois, temos uma vilã que cai da janela, forja sua própria morte e reaparece querendo quebrar tudo, mas acaba por morrer carbonizada em sua própria armadilha (quem se lembra da música Soraya Queimada do Zéu Britto?).

A Usurpadora foi ao ar pela primeira vez no Brasil no dia 22 de Junho de 1999, e assim como Maria do Bairro, foi reprisada outras 3 vezes. Além disso, contava com dois capítulos especiais que mostravam como vivia a família Bracho após o fim da novela.
Apesar do galã ser o eterno Fernando Colunga, e de ter nome composto como todo bom personagem de novela mexicana, o enredo de A usurpadora era mais complexo e inovador que as outras novelas do gênero. O reencontro das duas se dá no banheiro de um restaurante chique enquanto Paola, a gêmea má, vai retocar sua maquiagem e escapar da família semi falida que a sufoca, enquanto Paulina, a gêmea boa, cuida da limpeza do banheiro. Por serem idênticas Paola vê a oportunidade de cair no mundo sem que ninguém perceba, deixando sua cópia perfeita segurando a onda. Para convencer Paulina de tal, Paola arma uma enrascada para a irmã, não deixando outra alternativa para a o pobre coitada a não ser entrar no jogo.Quando Paulina finalmente consegue reestruturar toda a família Bracho além de “reconquistar” Carlos Daniel, Paola reaparece bronzeada e querendo seu lugar de volta.

Além dessas podemos citar Marimar, Maria Mercedes, Carrossel entre tantas outras. Porém, nenhuma dessas apresentavam vilãs do calibre de Soraya e Paola.


[texto publicado originalmente aqui]

 
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